Moslimanos no brazil pt2

 

Os muçulmanos no Brasil

Estudo sobre o Manuscrito

"A Diversão do Estrangeiro em Tudo que é Incrível"

Estudo e análise

CHEIKH. KHALED TAKY EL DIN

Presidente do Conselho Superior dos Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil

O manuscrito do Cheikh Abdul Rahman bin Abdullah al-Baghdadi, o Damasceno "A Diversão do Estrangeiro em Tudo que é Incrível", é uma descrição histórica e distinta de um ilustre estudioso e convocador de primeira classe. O Cheikh al-Baghdadi é um estudioso ético, com múltiplos talentos. Ele escreveu poesia e literatura, e dominou várias ciências jurídicas, além do conhecimento jurídico islâmico.  Dominava, também, os dois idiomas o árabe e o turco, e era amante de viajar e perambular. Viajou para o Alto Império Otomano em Astana, durante o reinado do Sultão Abdul Aziz, Primeiro.[2]. A viagem começou no início do mês de Jumada Al Úla, do ano de 1282 H. Quando os navios alcançaram o Oceano Atlântico, uma forte tempestade e levou-os para terras distantes, que, depois, descobriram ser a cidade de "Rio de Janeiro"[4]

Este manuscrito constitui, sem dúvida, no sustento prefeito aos estudiosos e observadores da história dos muçulmanos no Brasil e na América Latina, porque foi escrito por um excelente sábio, um escritor veterano, que foi capaz de descrever tudo que viu e colocou as suas percepções para salvar a comunidade muçulmana daquela época. O manuscrito adicionou outra dimensão à história do Islã e dos muçulmanos no Brasil, onde se pensava entre os historiadores do Islã e dos muçulmanos no Brasil que a história dos primeiros muçulmanos africanos trazidos pelos portugueses para o Brasil para trabalhar na recuperação de seu território, terminou no final de sua revolução, em 1835, no estado da Bahia, que fracassou em atingir seus objetivos para a emancipação dos escravos e o estabelecimento de um estado islâmico.

O recebimento do manuscrito constitui no elo perdido na história dos muçulmanos no Brasil, e veio confirmar que o Islã continuou a existir efetivamente no interior do Brasil, embora seus seguidores o praticassem em segredo por muitos anos após o fracasso de sua revolução. Os muçulmanos durante esse período tentaram unificar suas fileiras através de contatos regulares entre suas comunidades espalhadas por todo o Brasil. Eles praticavam seus rituais religiosos marcados por muita distorção como resultado do assassinato de seus xeques e a infiltração de alguns judeus entre eles, que trocaram as prioridades da religião islâmica.

A visita de Cheikh Abdul Rahman al-Baghdadi para o Brasil em 1866 é considerada a primeira visita de um sábio árabe muçulmano às duas américas. Durante esta visita, o Cheikh registrou e descreveu com precisão a sua conduta, suas vidas, suas práticas e suas diferentes interações; tentou através de um programa educacional islâmico superar as dificuldades éticas e as doenças que atingiram um grande número de muçulmanos no Brasil.

A importância do manuscrito também mostra a descrição do Cheikh al-Baghdadi, que Deus tenha misericórdia dele, aos lugares que ele visitou, denominado de localização geográfica, bem como os hábitos do povo brasileiro, as igrejas, e os tipos de alimentos e frutas, e uma descrição dos países em que o navio passou durante o seu retorno.

Os Esforços Científicos do Estudo do Manuscrito

O manuscrito apareceu há pouco tempo e ainda precisa de uma série de esforços para o seu estudo a partir de diferentes aspectos, bem como o estudo da época histórica que sincronizam a redação deste manuscrito, seja no Brasil ou no mundo islâmico, especialmente na África, a pátria mãe dos muçulmanos do Brasil. Vou tentar através deste estudo seguir os mais importantes estudos e escritos que falaram sobre o manuscrito.

Primeiro: a tradução do manuscrito para a linguagem do Império Otomano, feito por Charif Effendi. Consegui uma fotocópia da tradução da Biblioteca de Sulaymaniya em Istambul, que está registrada sob o número 4979. A tradução foi feita em 1288 H, portanto, seis anos após a data da visita do Cheikh Abdel-Rahman Baghdadi ao Brasil, e esta tradução empresta credibilidade à existência do manuscrito e os cuidados e a atenção que teve de alguns cientistas daquela época.

Segundo: Um livro sobre os primeiros muçulmanos no Brasil, publicado em turco. O Prof. Ahmad Charaf 'Antabli traduziu o manuscrito do árabe para o turco[6] A tradução foi preparado sob a forma de uma história, que o Sr. Ahmed Ozabel, e publicada pela biblioteca Kitabevi em 2.006 E.C. em Istambul, Turquia.

Terceiro: O livro: "A Diversão do Estrangeiro em tudo que é Incrível". É um estudo analítico surpreendente da viagem do Imam al-Baghdadi, que foi publicado pela Biblioteca da América do Sul-Países Árabes, em três línguas: árabe, português e espanhol em 2007. O livro foi preparado por recomendação da Cúpula dos Chefes de Estados Latinos e Árabes na Declaração de Doha, em 2009,[8]

O Dr. Paulo Farah foi prolixo na análise do aspecto cultural e descritivo no manuscrito, mas a sua análise foi sucinta quanto ao lado religioso e missionário do período da estadia Cheikh al-Baghdadi entre os muçulmanos.[10], a análise do Dr. Paulo foi excelente na análise dos abusos e das distorções introduzidas pelo tradutor judeu ao Islam. Esse judeu acompanhou o Cheikh al-Baghdadi durante um período de tempo antes de ser descoberto. Ele foi o elemento de ligação entre Cheikh al-Baghdadi e os muçulmanos do Brasil na primeira fase de sua estada entre os muçulmanos.

Quinto: "A Diversão do Estrangeiro .. Viagem à América do Sul", do Abdel-Rahman al-Baghdadi, que foi certificada pelo argelino Abdel Nasser Khalaf, que obteve o prémio "Ibn Battuta" sobre a literatura de viagem em 2009, organizada pelo Centro Árabe de Literatura Geográfica- - Perspectivas dos Horizontes. Até agora não consegui obter uma cópia  desse estudo.

Sexto: "O Cheikh Abdul Rahman al-Baghdadi na Terra do Samba", uma análise de três partes que escrevi, e foi publicada em mais de um site na Internet. Esse esforço acrescentei a este livro, porque é um manuscrito digno de contemplação e estudo por mais de um ângulo e a necessidade de muitas análises, especialmente porque o Cheikh al-Baghdadi, que Deus tenha misericórdia dele, descreveu com exatidão os locais por onde passou, o que ouviu e viu durante essa viagem. É, sem dúvida, a chave para um estudo mais aprofundado deste período histórico, que vai ajudar a refazer esse período que foi negligenciado e não teve a consideração cabível.

Sétimo: O Simpósio: "A Resistência dos Muçulmanos do Brasil à Cristianização no século 19", uma palestra do Dr. Michael Gomez, professor de história e estudos islâmicos e do Oriente Médio na Universidade de Nova Iorque, organizada pela Faculdade de Estudos Islâmicos, de Catar, em março de 2011. O relatório que falava de sua palestra dizia: "Gomez exibiu o Manuscrito do viajante Abdulrahman Al-Baghdadi 'A Diversão do Estrangeiro' que visitou Bahia em 1880 e se reuniu com  os muçulmanos e conversou com eles a respeito de sua religião. Ele viu alguns vestígios islâmicos que ainda existem em alguns escravos muçulmanos, que praticavam algumas orações. Ele disse em seu Manuscrito: "Quando desceram no litoral de Santos - uma cidade costeira – e quiseram rezar alguns negros ficaram a observá-los. No dia seguinte, eles pensaram que tinham vindo para burlar e rir deles. No dia seguinte, os negros chegaram e participaram da oração, e pediram-lhe para ficar com eles, para ensiná-los. Aquele homem permaneceu cerca de dois anos e, em seguida, escreveu este livro. Depois do intercâmbio entre o Brasil e os países árabes foi recomendada a publicação do livro. Penso que foi impresso na cidade de Argel, e está agora à disposição, essa presença antiga."

[2] Manuscrito: "A Diversão do Estrangeiro."

[4] Manuscrito: "A Diversão do Estrangeiro."

[6] Introdução do Livro: "Os Primeiros Muçulmanos no Brasil".

[8] Introdução do Livro: "A Diversão do Estrangeiro em tudo que é Incrível", Paulo Farah.

[10] O Conflito entre O Judaísmo e o Islam no Brasil. Dr. Khálid Mohammad Abu AL Hassan, pág. 9